sábado, 6 de janeiro de 2007

A CEIA E OS TRAFICANTES DO ÓPIO DO POVO

[por Caio Fábio]

Tem gente que se não tomar a Ceia sente que o mês não será bom.

Tem gente que se tomar a Ceia num dia em que não “esteja bem”, segundo sua interpretação moral e de justiça própria, poderá morrer... E morre.

Porém, de outro lado, tem gente desejando incluir a Ceia do Senhor no “pacote” de coisas que passaram...
No Rio quem começou isso foi o “Apóstolo Miguel Ângelo”, e já faz tempo... Pra falar a verdade, anos.
Eu tomarei e distribuirei a Ceia do Senhor “até que Ele venha”, fazendo “sempre” em “memória” Dele.
E mais: farei sempre como Paulo disse que deveria ser (I e II Coríntios). Tanto no significado (I Coríntios 11), quanto no modo (II Coríntios 8-9).
A Ceia é um dos únicos ritos do Novo Testamento, e foi afirmada por Jesus (“ todas as vezes... fazei em memória de mim...”).
Paulo manda que assim seja até à volta do Senhor.
Que dúvida ainda pode existir quanto a tomar e ministrar a Ceia ou não nos dias de hoje?
Ora, quem nunca conheceu a Graça, quando dela houve falar, corre o risco, não tendo ciência na Palavra e no Espírito, de ir para o pólo oposto.

Já o Miguel, não o Arcanjo, mas o “apóstolo” — me disse no início da década de 90, em minha sala, que fazia esses exageros (dizer que não precisava mais haver nem batismo e nem a Ceia) “... pra chamar atenção. “Coisa de Marketing, entende?” — indagou ele de mim.

Eu disse a ele que não entendia, e que fazer marketing com o mandamento é abominação.

Além disso, a Ceia não apenas deve ser tomada e ministrada, mas também pode ser ministrada por qualquer um. E isso é puro e santo.
Essa história de que só “pastor ordenado pela igreja” é que pode ministrar a ceia, ainda é um remanescente sacerdotal oficial que a Reforma Protestante não aboliu, antes fortaleceu.

Reforma... e Ceia.

Discutiram tanto sobre a questão da trans-substanciação que não trataram de outra grande perversão — que é a sacerdotalização da ministração dos chamados “sacramentos”.
Afirmar e impor que somente os “ordenados” pela “igreja” é que podem ministrar o batismo e a Ceia, é pecado contra o mandamento da não acepção de pessoas. É o eco de antigos paganismos. É ainda a linhagem do bruxo oficial ou do sacerdote legal prevalecendo entre aqueles que deveriam saber que somos todos um reino de sacerdotes.

A Ceia deve ser tomada e ministrada por qualquer discípulo ou grupo de discípulos, e sempre que a vontade de adoração e gratidão o determinarem.

A Ceia não gasta. Não tem falta de estoque. Não precisa ser nem economizada e nem exagerada.
Deve ser Eucaristia; ou seja: ação de graças!

A Ceia também não é o rito que sucede o batismo. Ela é sim o rito de quem crê. Assim, a ordem não importa quando a fé já encheu o coração.

Quem determinou a seqüência... — primeiro o batismo e depois a Ceia... — foi a religião; e isso como mecanismo de controle do povo pela via da gestão autorizada dos sacramentos.
Tudo coisa da Máfia da Crença. Sim! Coisa dos Traficantes de Ópio do Povo!
O papel espiritual e psicológico da Ceia é o de elevar a gratidão por Deus em Cristo.

A Ceia não é a Arca da Aliança, na qual somente os “santificados pelo sacerdócio” poderiam tocar sem morrer — conforme acontece na forma de crença mesmo entre os Reformados.

A Ceia do Senhor é o signo presente da Ceia “daquele senhor” das parábolas de Jesus. Primeiro foram convidados os que se diziam amigos. Mas como eles não vieram “nos judeus” — então o convite se estendeu a nós, os mancos, coxos, cegos, maltrapilhos, mendigos, doentes, aflitos, perdidos na noite e nos becos do medo e da solidão.

Agora, como os “cristãos” viraram “judeus” na arrogância da religião, então “aquele senhor” está mandando chamar outro povo, e que a “ele” atenderá com alegria e gratidão — e que virá feliz para a sua Ceia.

A vestimenta para a Ceia do Senhor, que é a vida e não apenas o rito, é aquela que Ele mesmo concede e manda que ela nos seja disponibilizada para que a vistamos.
É a única veste que nos veste para a Ceia!

A justiça própria, a moral, o virtuosismo das aparências, a integridade, a seriedade, as formalidades, as reverencias externas, e todos os gestos sagrados — não nos habilitam para fazermos parte, vestidos ou nus, da Ceia do Senhor.

Tomar e comer a Ceia em pecado é tomar e comer com arrogância de justiça própria, com superioridade, com a certeza de ser adequado para àquela hora e papel. Ou seja: com vestes próprias.
Ninguém que tome e coma, tendo um coração quebrantado, grato, arrependido, consciente da Graça, e a ela ligado em fé no amor de Deus — jamais tomará a Ceia em pecado; pois, quando o coração está assim, o sangue de Jesus, o Filho de Deus, que é o Cordeiro Eterno, nos purifica Hoje de todo pecado; Sempre!

Ele Tira o pecado do mundo. É sempre ato continuo...

Tomar a Ceia em pecado é tomá-la sem consciência de gratidão, quando já se tem a informação e já se disse que nela se crê.

Bêbados da rua não pecam quando tomam do pão e do vinho, mas sacerdotes distraídos, indiferentes, hipócritas, mecânicos, ritualistas, e ingratos — esses pecam sempre que realizam a Ceia “para os outros”; fazendo-o como se fossem autômatos de Deus.

A Ceia também deve suscitar em nós espírito de acolhimento fraterno, deve nos fazer exercitar a generosidade, deve nos estimular a compartilhar com o próximo o nosso pão e o nosso vinho. Pois, na igreja do Caminho, todos traziam de casa e a mesa era comum. Quem tinha mais, mais trazia. Quem tinha menos, menos trazia. E quem não tinha nada, trazia a si mesmo; e os demais o serviam em amor. Assim era. Assim deveria ser. Assim pode ser no espírito e no entendimento.

Teria muito a falar. Mas este é um texto em um site, e não um livro.

Entretanto, pense e pratique; pois sei que o que está acima é Evangelho de Jesus.

Nele, que se deu como pão e vinho, em carne e sangue, e que pela Palavra nos serve de Seu Pão e de Seu Vinho,

Caio
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Amanhã, neste espírito, celebraremos o CORDEIRO ETERNO que se deu por nós! Ele tira, tirou e tirará o pecado no mundo!
Venha com ALEGRIA E FÉ!

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