segunda-feira, 23 de maio de 2011

SEM MINISTÉRIO, SEM PROJETOS, SEM ESTRATAGEMAS, APENAS NO CAMINHO




Carlos Bregantim


Perguntam-me sempre sobre "MEU MINISTÉRIO, MEUS PROJETOS, MINHA VISÃO, MINHA MISSÃO, MINHA ESTRATÉGIA", e por aí vai.

Houve um tempo em que me afligia quando me perguntavam: "ONDE VOCÊ ESTARÁ DAQUI A 10 ANOS?", OU "O QUE VOCÊ ESTARÁ FAZENDO?", OU "O QUE DIRÃO A SEU RESPEITO QUANDO VOCÊ MORRER?"

Hoje, apenas respondo que estou no Caminho. Quando digo que estou no Caminho, não digo que estou num movimento histórico chamado Caminho da Graça. Digo que estou no Caminho.

O Caminho que é uma Pessoa, que tem um Nome, e seu Nome é Jesus de Nazaré, o Cristo de Deus.

Embora faça parte com muita alegria deste movimento, junto com outros caminhantes, mas, o que me da prazer é estar no Caminho.

Por estar no Caminho, tenho aprendido que devo entregar o MEU CAMINHO àquEle que é o Caminho e apenas caminhar.

Caminhar lidando com tudo que vai acontecendo no caminho, na certeza que, estando MEU CAMINHO nas mãos do Caminho, tudo acontecerá na medida e na proporção do interesse daquEle que é tudo o tempo todo.

Não preciso responder nada sobre resultados, estatísticas, prazos, cronogramas, estratégias, organização ou estrutura, pois tudo no caminho que está nas mãos do Caminho acontece para o bem daqueles que amam o Caminho.

Agora também me perguntam como vai o Caminho. Digo sempre que o Caminho não poderia estar melhor.

"Mas, e o Caminho da Graça, como está?", perguntam outros. Eu digo que está onde sempre esteve e estará, isto é, no coração daqueles que creem no Caminho e a Ele se entregam de maneira irrestrita, e passam a viver para servir a Deus e às pessoas.

Perguntam então sobre o MEU CAMINHO, e respondo também que não poderia estar melhor, pois está nas mãos do Caminho.

Isto não implica dizer que "TUDO ESTÁ BEM", até porque a vida não é assim pra ninguém. Ninguém tem tudo que quer o tempo todo.

Implica dizer como o Paulo, apóstolo, "APRENDI A ME ADAPTAR A TODAS AS CIRCUNSTÂNCIAS", de modo que, independentemente do curso das coisas, das alegrias e tristezas, vitórias ou derrotas, os solavancos da vida, e tudo que é inerente ao existir nesta dimensão da eternidade, digo: ESTOU BEM.

Estou bem hoje. É o que basta.

Tenho para o dia de hoje. Isto é bom.

É assim que tem sido. É assim que desejo que continue sendo.

Estou no Caminho da Graça que está nas mãos do Caminho e, em qualquer lugar, qualquer dia e hora e com algumas ou muitas pessoas, o que vale é o que o Caminho tem sido em nós e o quanto nós estamos sendo no Caminho de modo que muitos vejam e encontrem o Caminho, a Verdade e a Vida.

Nos vemos no caminho e o Caminho nos vê a todos.

Enquanto movimento, também podemos nos ver no Caminho da Graça em vários lugares, dias e horários por este Brasil a fora. Clique no link a seguir e veja se há algum grupo perto de você. (http://caiofabio.net/conteudonews.asp?codigo=6)

Graça, paz & todo bem da parte do Caminho a você e sua casa.

Bjs.

Carlos Bregantim

22 de abril de 2009

São Paulo - SP

segunda-feira, 9 de maio de 2011



Pessoal,


Além do conteúdo do CAMINHO DO DISCIPULO q está em on demand na VVTV, e no canal VIMEO (http://vimeo.com/channels/discipulo)... estarei subindo todos os episódios tb no YouTube. É pra facilitar mesmo a todo mundo...


Veja aqui a introdução e os 10 episódios: http://www.youtube.com/view_play_list?p=EC40036394426695


Abços.


Chico

O PIOR E O MELHOR DA EXISTÊNCIA!... você quer?


Nada pode fazer maior mal mental e espiritual a um ser humano individualmente do que o ódio que se veste de auto-piedade.

Sim, pois pelo ódio todas as ações de um homem se fazem justas aos seus próprios olhos. Ora, um homem justo aos seus próprios olhos vira satanás; sim, se torna o acusador da vida e de tudo o que nela exista...

Quando o ódio se veste de auto-piedade, então, dois demônios para a alma nela se instalam, fazendo surgir um “terceiro termo psicológico”, que é o ódio amargurado.

Digo isto por admitir que exista o ódio ativo e valentemente perverso, que é o ódio que sentem e praticam os fortes de desgraçado espírito, e a História na maior parte das vezes é, foi e será feita de tais ambições do ódio que se vinga dos que odeia pelo ódio —; ao mesmo tempo tenho que também admitir a existência do ódio fraco, que é aquele que se veste de pena de si mesmo, o qual gera não apenas a inviabilidade de que qualquer coisa dê certo para tal pessoa, mas, além disso, inviabiliza qualquer existir ao lado de tal pessoa; a qual, pela auto-piedade existe para sofrer a vida, e, por isto, mais odiará a humanidade e tudo o que seja caminho de paz; visto que em tal pessoa até os “amigos de ódio” são seus inimigos de existir; isto se não viverem para levá-lo nas costa; e mais: sempre como quem serve; pois, se for como amizade que ajuda, até esses sofrerão o ódio do recalcado que em razão da auto-comiseração odeia até ter que precisar de qualquer ajuda.

Gente assim sofre não de uma doença, mas de todas; visto ser habitada pela enfermidade/causa/essencial de todas as enfermidades na vida.

De outro lado cada dia vejo que as pessoas mais livres para ser e viver, são justamente aquelas que já morreram; e que tratam toda agressão humana como o fazem os defuntos.

Sim, simplesmente não podem mais falir, nem brigar, nem se ofender, e nem se fazerem escravos de nenhum existente/supostamente/vivo.

A ênfase do Evangelho é no morrer a fim de que se possa viver; posto que o existir sem o morrer para o mundo, apenas cria a existência de um ser cativo de medos, opiniões, impressões e do desejo de se impor e de se fazer vivo pela sua supremacia aparente imposta sobre os de-mais...

Houve um tempo em que eu fui um homem muito vivo, mesmo enquanto pregava a morte para que se entrasse na vida.

Graças a Deus, porém, morri e continuo a morrer todos os dias; e quanto mais morto me manifesto em relação ao mundo, mas sinto a vida de Deus me possuir; e ainda: mais me sinto sem medo de nada; mais me torno fraco e forte; sem nada, mas possuindo tudo.

Mas a verdade é que a gente só morre quando morre mesmo; posto que para se provar a vida plena não se pode estar apenas meio-morto.

Ora, esse morrer ou é um atropelamento do amor de Deus sobre a nossa supostamente viva existência; ou então ele acontece como quebrantamento; que é a benção apenas dos bem-aventurados que se tornam humildes de espírito, ou que por já serem humildes de espírito se tornam bem-aventurados.

Assim, o caminho para a vida é feito de morte para o mundo e suas importâncias e guerras, ao mesmo tempo em que em tal caminhar não pode haver jamais nem ódio e nem auto-piedade; mas tão somente a vontade ávida de se crescer em amor e verdade valente na manifestação de ser em Deus e diante dos homens.

Tal homem pode ser forçado a deixar a Estrada milhões de vezes, mas jamais mudará o seu Caminho!

Esses que assim são [...] — são vitoriosos contra a morte e contra a vida; contra anjos, principados, potestades e poderes; contra o presente, o passado, as alturas e os abismos; sim, pois tais pessoas andam apenas o seu caminho em Deus; sempre sabendo que nada pode separá-los do amor de Deus; e, portanto, fazendo deles gente não apenas vitoriosa segundo Deus, mas, além disso, também pessoas que vivem sem medo algum diante dos homens; e, por isto, sem serem mexidos na direção de seu andar.

Saiba isto:...

Qualquer incompetência amorosa, positiva e solicita será sempre mais útil à vida do que maior genialidade que seja amargurada, odienta e cheia de auto-piedade!

Antes de entender isso não peça ajuda a Deus por nada; nem busque Nele qualquer coisa; pois, creia: Jesus disse que nem Deus consegue ajudar aqueles que quando vêem alegria, choram, e quando vêem dor, gargalham.

Faça morrer sua vida neste mundo; e abrace a morte para o mundo como o diploma que o habilita à verdadeira Vida; aquela que não vem do mundo, mas da confiança contente no amor de Deus — ainda que não lhe haja qualquer afirmação de crédito humano.


Nele, que ensinou isto e praticou o que ensinou, sendo Ele o Caminho por ser o Único que nunca foi desviado do Caminho, da Verdade e da Vida,


Caio

3 de abril de 2010

Lago Norte

Brasília

DF

segunda-feira, 2 de maio de 2011

O PROBLEMA DO CRENTE É O OUTRO!


O grande problema do crente são os outros…

Sim! São os que desobedecem, os que se batizam e não vivem como batizados, os que tomam a ceia e comem carniça na sobremesa, os que confessam com os lábios e negam com o coração, os que oprimem os outros, os mandões, os cínicos, os hipócritas, enfim, todo mundo que não seja eu... — se eu fosse como um “crente”.

Isto para gente apenas ficar “dentro” desse aquário de coisa alguma que as pessoas chamam de “meio cristão”.

Afinal, para quem pensa assim, o mundo, o efeito estufa, a morte/agora, a fome, as tramas globais, as ações da Besta, o fogo do Grande Dragão, as seduções da Grande Babilônia, os Principados, e todos os poderes, não importam; visto que o que importe é controlar os diferentes de nós [dentro da “igreja”]; os que sofrem de pinto desgovernado, os que bebem além da conta, os que fumam, os que transam, os que dizem ser e parecem nada ser...

Sim, para o crente, o mundo inteiro tem a grandeza dos conflitos dos micuins da grama do fundo do quintal da “igreja”; e olhe lá.

Ora, depois, com a largueza desta visão de Toupeira, o homem de luzes espirituais [luzes de viseira] ainda ora a Deus com fervor, pedindo que os céus tirem o véu do entendimento dos incrédulos, para que eles venham a dar credito à verdade...

A imagem é aquela mesma...

Nenhuma poderia ser melhor...

Não há nada a ser feito para melhorar a exatidão do retrato que Jesus fez de tais almas...

Coam o mosquito, mas engolem todos os camelos...

Carregam um travessão do olho, mas vestem jaleco e se candidatam a Oftalmologistas dos irmãos...

Brigam contra a veste velha, mas não a largam; e sempre arranjam um pano novo ungido para tentar tapar o buraco...


Na realidade, acerca desses, ainda há quem pergunte se na vida Deus é o Tapeceiro ou se é apenas nosso Parceiro...

Ou seja: Se Deus faz tudo ou se associa ao homem!...

Eu vejo não as perguntas deles, mas os temas existenciais de suas vidas; e digo a mim mesmo:

Eles nem sabem que o problema não está entre o Tapeceiro e o Parceiro; mas sim entre o Parceiro e o Toupeira.

Entretanto, tal espírito é operoso e insistente...

É capaz de fazer de sua causa uma missão na terra...

Este é o tamanho da loucura...

Eu, todavia, insisto...

Aqui e ali alguém diz:

Ué? De fato meu umbigo não é o centro do universo!

É pela chance de tal grande conversão que trabalho ainda respondendo aos crentes...

Se não visse que de vez em quando um dos zumbis acorda, não perderia tempo.

O mais cético dos filósofos se converte fácil, quando se converte. O duro é a conversão dos “convertidos”.

Converter “crente” é, de fato, o grande milagre.

Afinal, ele é o são que não precisa de médico...

Por isto ele se oferece a Deus para trabalhar como “instrumentador”...


Nele, que por vezes se escondeu de quem existe assim,


Caio

22 de abril de 09

Copacabana

RJ

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Convites...

Amado(a) caminhante do Reino,

Graça, Vida e Alegria da parte do Eterno!

Quero fazer-lhe dois convites especiais:

1 - No próximo domingo (01/05), teremos nosso encontro comunitário, no horário e local costumeiros...

Você é nosso(a) convidado(a)!

2 - Nos dias 23 a 26/06, haverá um encontro das estações do Caminho da Graça, que será realizado em Fortaleza / CE.

Quem já teve a oportunidade de desfrutar de um momento como esse, sabe quão profundos e significativos eles são (ou podem ser, dependendo de quem olha, e de quem ensinou a olhar...).

Fica o convite!

Maiores informações estarão disponibilizadas no blog da Estação local(http://caminhofortaleza.blogspot.com/2011/04/encontro-das-estacoes-2011.html).

Um abraço,

Henrique

sábado, 16 de abril de 2011

UM CONVITE A SOLIDARIEDADE!



A TODOS OS MANOS E AMIGOS,

GRAÇA E PAZ!

COM O OBJETIVO DE AJUDAR ALGUMAS FAMÍLIAS CARENTES QUE TEM NECESSIDADE DE
CONSTRUIR BANHEIROS EM SUAS CASAS, NA CIDADE DE CORDISBURJO, A 120 KM DE
BH, PERTO DE SETE LAGOAS.

ESTOU RECOLHENDO DOAÇÕES DE MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO, TAIS COMO:

PORTAS, JANELAS, BASCULANTES, VASO SANITÁRIO, LAVOTÓRIOS, CAIXA D'AGUA,
TORNEIRAS, FIOS ELETRICOS, PISOS, AZULEJOS, ARMÁRIO PARA BANHEIROS, FOGÃO,
SOFÁ, MESAS, CADEIRAS, RESTO DE TINTAS, MASSA CORRIDA, TELHAS, E ETC.

PORTANTO, SE VOCÊ POSSUI RESTOS DE MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO OU CONHECE
ALGUÉM QUE TENHA E GOSTARIA DE DOAR, FAVOR ENTRAR EM CONTATO COMIGO ATRAVÉS
DOS SEGUINTES TELEFONES:

31-3462-2583 (CASA)
31-9619-9500

OBRIGADO DESDE JÁ.

SAMUEL LOPES MIRANDA

SAMUEL@BR.COM.BR
SAMUELLOPESMIRANDA1@HOTMAIL.COM

GRAÇA: O CAMINHO PRA CIMA E O CAMINHO PRA BAIXO- ESCOLHA!



Oséias 11:7

“Porque o meu povo é inclinado a desviar-se de mim; se é ‘concitado’ a dirigir-se acima, ninguém o faz.”


Poucos textos me feriram a alma tanto quanto este, desde a primeira vez que o li. Hoje, entretanto, conversando com Adriana acerca de certos “espíritos humanos”, especialmente os bons e humildes, ela disse: “Se as pessoas mudassem de espírito, até o ar ficaria melhor”.


Então eu disse: “É claro. Leia Oséias 4: 1-4. Ela então, disse: “Recite-o pra mim”. Recitei-o. O texto diz que por causa da maldade da sociedade humana, a criação é afetada, e começa a morrer. Foi quando eu disse: “Se acontece para o mal, acontece para o bem”.


Entretanto, no ato de recitar para ela o texto, incluí um pedaço que não fazia parte da citação de Oséias 4, e que é o texto que está no cabeçalho desta minha conversa com você.


Achamos o texto e lemos: “Porque o meu povo é inclinado a desviar-se de mim; se é concitado a dirigir-se acima, ninguém o faz”.


Um pai, ou uma mãe, também poderiam, algumas vezes, dizer o mesmo: “Porque os meus filhos são inclinados a desviarem-se de nós; se concitados a dirigirem-se acima, ninguém o faz”.


Ou seja: a aplicabilidade de tal “inclinação do coração” frente à certeza do amor incondicional, paradoxalmente, na alma não-consciente e rasa, gera apenas um espírito de inclinação contrária ao amor de Deus.


Digo isto apenas porque o povo de Oséias sempre soube que Deus os amava, visto que o profeta que Ele escolheu para trazer Sua mensagem, teve, ele mesmo, que ser a mensagem; pois teve que amar e casar com uma mulher que o traía com todos os homens, assim como Israel traía o Senhor com as divindades de pau e pedra.


Ora, essa fuga de Deus é fuga do amor; e é, também, fuga de toda a perspectiva crescimento, pois não há meio de se crescer, e de tal crescimento tirar algum proveito, se o amor não for a seiva desse crescimento. Paulo disse que sem amor, por exemplo, o conhecimento apenas “incha”, mas que somente o amor edifica, constrói, e faz crescer aquilo que é eterno em nós.


O contrário disso, que é a fuga do amor e do crescimento nele, produz sempre a “Síndrome de Peter Pan Espiritual”. A pessoa acha que é de Deus, e, nesse mesmo momento, começa a se inclinar para longe Dele; pois é melhor pensar que se é de Deus de modo “marcado como gado”, do que ser de Deus porque nosso ser é e cresce em Deus.


Estranhamente, qualquer “certeza jactante” acerca de se ser “povo de Deus”, produz essa tendência a se “inclinar” para longe de Deus, posto que a jactância dessa “gloria” já significa o próprio afastamento de Deus; pois, só se jacta de “algo” quem acha que possui a coisa ou por ela é possuído (até mesmo quando a “coisa” é “Deus”); e isto numa perspectiva de “status”, e não de amizade e relacionalidade com o Criador e Pai.


Nesse ponto o ser se esquizofreniza. Sim, confessa-se de Deus, mas odeia a idéia de crescer, de seguir acima, visto que tal implica em entrega, e permanente sondagem do coração e seus múltiplos intrincamentos e entroncamentos. Aqui é quando “ser povo de Deus” mata a possibilidade de um continuo crescimento, aceitando a vocação, o chamado, o eterno concitamento divino para que o ser vá “para cima”.


Toda a profecia de Oséias trata acerca de como o amor incondicional de Deus, expresso pelo “profeta-corno”, mas que seguia sendo bom e misericordioso com Gômer, uma goma de mulher, e que ilustrava Israel, a puta, adultera, amada de Deus, assim como Gômer era amada por seu marido-profeta.


Na existência cotidiana é o mesmo que acontece. Pessoas boas, geralmente são abusadas. Os que se esforçam pelo que é bom, acabam carregando todas as responsabilidades. Os que amam incondicionalmente, sempre são incondicionalmente provocados em seu amor. Pois quem diz crer em Graça, esse tem que provar e praticar a Graça recebida nas relações horizontais, nas quais Deus freqüentemente nos põe “no lugar Dele”, no que tange ao exercício do perdão.


Assim, a salvação de Oséias, de Gômer e de Israel, estava em que Oséias perdoasse a mulher que contra ele adulterava por mero prazer. Mas se Gômer não se convertesse, ainda que incondicionalmente amada, provaria, por suas próprias mãos, todas as conseqüências de seus atos.


“Oséias nunca me deixará”, pensava ela enquanto se divertia em traições!


E, por tal certeza de amor contra ela mesma, ela se inclinava para longe do verdadeiro amor, e concitada a ir para cima, para um outro piso de existência, ela, porém, apenas se abismava mais.


Desse modo, a percepção leviana da Graça de Deus, ao invés de curar a alma, pode colocar a pessoa na falsa idéia de que crer que Deus nos ama, isso é algo que em si mesmo, e nos poupa de ter que amar com fidelidade a quem nos ama.


“Se me amais, guardareis os meus mandamentos”, disse Jesus, para então acrescentar que esse amor por Deus só pode ser visto como “amor de uns pelos outros”.


Estou escrevendo isto porque depois de ficar quatro anos, aqui no site, tentando tirar “neuroses e paranóias da cabeça de crentes”, creio que chegou a “Hora” de dizer que a grande tentação agora é um “crer-mal” no amor de Deus; e, assim, ao invés de aceitarmos o chamado “para cima”, nos ponhamos no caminho de Gômer, a qual, confiada no amor de Deus em Oséias, quanto mais amada, mais atolada ficava no caminho de baixo.


A Graça nos acompanha até o abismo, qualquer abismo, mas não deseja fazer sua residência na ambiência espiritualmente cínica de quem diz crer, mas nunca aceita o convite para crescer. Sim, como disse Pedro, “crescer na Graça e no conhecimento” de Deus.


“Meu povo perece por falta de conhecimento”, disse Deus por Oséias. A questão é que “conhecimento de Deus”, conforme Jesus e a Palavra, não é “informação” acerca de Deus, o que é estultícia do ponto de vista da Palavra revelada.


Conhecimento de Deus, conforme a revelação, é sempre conhecimento “experiencial”; portanto, é conhecimento na Graça que nos converte pelo amor divino.


Desse modo, todo verdadeiro conhecimento de Deus em amor e graça, nunca nos deixa contentes no caminho estático, porém, célere, na direção do buraco da existência. Ao contrário, o verdadeiro conhecimento de Deus muda o ser, e o leva à vontade da fidelidade para com o amor de Deus e para com o próximo, em amor.


Pense nisto:


A GRAÇA DE DEUS NÃO É A GRAXA DE DEUS!


Caio

segunda-feira, 4 de abril de 2011

OS TEMAS DE JESUS E OS TEMAS DOS JESUSES!


Em Jesus nós temos os temas por Ele propostos [que eram Sua agenda], os temas propostos pelos homens [que eram suas angustias e ou tentações e dúvidas], e temos os temas que Ele se nega a responder, e, menos ainda a propor.

Entretanto, mesmo quando a resposta a uma proposta seria para Jesus como o lançar pérolas aos porcos, ou ainda algo como ideologizar a Palavra — ainda que não tratando dela [da proposta], é possível ver porque Ele não a respondeu; ao mesmo tempo em que é possível saber o que Ele pensava, não o expressando apenas para não fazer de algo tópico um dogma para os incautos ou um motivo de acusação desnecessária dada aos abutres.

Assim, os temas de Jesus são os de sua mensagem declarada e espontânea. E o Sermão do Monte bem expressa quais são esses elementos essências da agenda do Evangelho de Jesus.

Nos diálogos com as multidões ou os religiosos [de todos os pedigrees], vemos as respostas que Ele julga fundamentais; e que em geral carregam os elementos mais próximos da compreensão humana; mesmo quando era uma disputa dos fariseus ou escribas dos sacerdotes, buscando algo a fim de o acusarem.

Nos diálogos com os discípulos há tanto o que Ele propõe, como também o que eles criam como problema ou circunstancia da vida para a qual a Palavra de Jesus tem sua direção sempre.

Até mesmo o tema da Vinda do Filho do Homem, conquanto seja uma proposta Dele, Nele sempre ela é tratada de passagem, como certeza para além da obvia claridade do sol. Quando, porém, o tema “escatológico” [últimas coisas] é ampliado, é porque os discípulos curiosos perguntam sobre o fim de tudo aquilo.

No mais, Ele força a pensar, a sentir, a intuir, a abrir-se à revelação, a comparar as coisas com a natureza das coisas, e com a natureza humana também; e, sobretudo, Ele sempre dá a chance de que a história-parabola-da-vida falasse por si mesma aos de coração ávido pela verdade do reino. Ele as explica [as parábolas] apenas quando dúvidas aparecem; e nesse caso [das parábolas], tal extensão explicativa acontece apenas na do Semeador e na do Joio e do Trigo. Nas demais, os fatos da vida se impuseram como ilustração vívida do que estava acontecendo no coração dos circunstantes, de tal modo que as explicações eram eles próprios.

Dos temas tópicos o que Ele mais menciona é o dinheiro. Seja como denuncia de seu poder corruptor; seja até como ilustração em parábolas [para o bem e para o mal]; seja no desfecho da história do Evangelho, quando é por dinheiro que Jesus é traído.

Ele não fala nada de questões morais. Diferentemente de João Batista Ele nada tem a dizer acerca dos bacanais dos Herodes e das orgias dos romanos.

Também nada diz dos publicanos, meretrizes e pecadores sem que seja mediante parábolas de amor e perdão. Sua pior descrição de tais situações acontece quando Ele diz que o pródigo judeu foi cuidar de porcos [ofensa aos judeus], e disputava babugens com eles. Mas isso tudo para trazer o rapaz de volta para o abraço do Pai.

Nele também não vemos traumas. Ele bem que poderia falar da “matança dos inocentes” [quem resistiria se isso fosse sua história mais primitiva?], de Seu exílio no Egito, da visita dos magos, da vida em Nazaré, do pai, da mãe, dos irmãos, dos amigos, de tudo. Mas Ele não toca nesses assuntos jamais. Ele não tinha testemunho a dar. Ele era o testemunho. E o testemunho do Pai a cada dia era confirmado Nele de todos os modos no dia chamado Hoje.

Ao contrário. Houve coisas que Ele não só não levou quase ninguém com Ele para que fossem vistas; mas, além disso, proibiu as testemunhas de relatarem o que haviam visto até que Ele ressuscitasse dos mortos — e pediu que fosse assim até no caso dos outros apóstolos; os que não tinham presenciado o ocorrido; como a Transfiguração, por exemplo.

Temas políticos explícitos Ele não tratou. Entretanto, denunciou-os mediante ilustrações sarcásticas, irônicas e mordazes. Ou seja: Ele fez cartoons; charges de imagens-histórias. Fez isso de modo sutil [como quando diz que o centurião romano tinha mais fé que qualquer judeu que Ele tivesse encontrado na vida]; ou quando, por exemplo, elege um Samaritano para herói da história da bondade solidária. Sua manifestação política mais explicita está na denuncia ao fermento de Herodes e dos fariseus, que era a hipocrisia. No mais, não entra em rota de colisão com Roma, não aceita a polemica sobre o que era de Deus e o que era de César [embora com toda fineza diga que Deus está acima de César], não se empolga com a possibilidade de mediar uma questão de bens de família e herança [ao contrário: nega-se a fazê-lo], e quando denuncia politicamente, dirige sua denúncia à política feita em nome de Deus, no Templo e entre os “representantes” da “divindade”.

O que Ele faz o tempo todo é dizer que o homem pode viajar [qualquer homem] da pocilga dos porcos para a herança do Pai Celestial.

O que Ele faz o tempo todo é dizer que o homem pode ser infinitamente melhor do que é; e que nós podemos vir a nos parecer tanto com Deus que a vida se torne sem ansiedade e sem guerra.

O que Ele faz o tempo todo é dizer que o homem pode amar, e nunca odiar; vencer pelo amor e pelo perdão, e não pela espada e pela opressão; e conhecer o amor como poder que vence tudo; mesmo quando quem ama morre.

O que Ele faz o tempo todo é dizer que o homem pode viver sem saber por que uns morrem antes e outros depois; por que uns são vitimas de calamidades [como aqueles que tiveram seu sangue misturado com oferendas de ódio no altar] e outros estão ao lado e não são “apanhados”; ou por que uns vêem e outros não; ou por que uns padecem e outros apenas riem; ou por que a casa cai e mata a família boa, enquanto a casa rebelde dá festa durante o enterro do Lázaro; ou por que alguém nasce eunuco [sexualmente disfuncional ou invertido]; ou cego; ou aleijado; ou qualquer coisa.

Sim, para Ele nada havia a saber sobre isto; pois a vida que confia no amor do Pai sabe que Ele cuida de todos; e que tem glória para todos.

O que Ele faz o tempo todo é dizer que o homem pode amar a Deus e a seu próximo como a si mesmo.

E diz que se assim fosse, Ele mesmo reuniria todos os homens, de todas as Jerusalens, e os poria sob Suas asas, como a galinha ajunta seus pintinhos!

Mas há os que preferem eleger para a vida os temas que Ele não propôs; e fazerem deles a agenda de Deus, sem saberem que cumprem os desejos homicidas daquele que é mentiroso e pai da mentira.

Se a agenda é de Deus, é divino-humana [como vimos em Jesus]. Se a agenda é humana, é divina em sua real e necessária humanidade [como vimos em Jesus]. Mas se a agenda não vem de nenhuma dessas duas fontes-propostas, então, saiba: ela pode ser confessada em nome de Deus, mas o proponente é o diabo; e acerca dele [do diabo], Jesus diz: “Eia! Vamo-nos daqui; pois aí vem o Príncipe deste mundo; e ele nada tem em mim!”

O que hoje mais se precisa é tirar uns certos “jesuses” do que se diz sobre Jesus. Pois Jesus não é o Gadareno, que diria: “Jesuses é o meu nome, pois somos muitos!”

Pense nisso!

Caio

Escrito em Agosto de 2007

Manaus - AM

 
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