sábado, 16 de abril de 2011

UM CONVITE A SOLIDARIEDADE!



A TODOS OS MANOS E AMIGOS,

GRAÇA E PAZ!

COM O OBJETIVO DE AJUDAR ALGUMAS FAMÍLIAS CARENTES QUE TEM NECESSIDADE DE
CONSTRUIR BANHEIROS EM SUAS CASAS, NA CIDADE DE CORDISBURJO, A 120 KM DE
BH, PERTO DE SETE LAGOAS.

ESTOU RECOLHENDO DOAÇÕES DE MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO, TAIS COMO:

PORTAS, JANELAS, BASCULANTES, VASO SANITÁRIO, LAVOTÓRIOS, CAIXA D'AGUA,
TORNEIRAS, FIOS ELETRICOS, PISOS, AZULEJOS, ARMÁRIO PARA BANHEIROS, FOGÃO,
SOFÁ, MESAS, CADEIRAS, RESTO DE TINTAS, MASSA CORRIDA, TELHAS, E ETC.

PORTANTO, SE VOCÊ POSSUI RESTOS DE MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO OU CONHECE
ALGUÉM QUE TENHA E GOSTARIA DE DOAR, FAVOR ENTRAR EM CONTATO COMIGO ATRAVÉS
DOS SEGUINTES TELEFONES:

31-3462-2583 (CASA)
31-9619-9500

OBRIGADO DESDE JÁ.

SAMUEL LOPES MIRANDA

SAMUEL@BR.COM.BR
SAMUELLOPESMIRANDA1@HOTMAIL.COM

GRAÇA: O CAMINHO PRA CIMA E O CAMINHO PRA BAIXO- ESCOLHA!



Oséias 11:7

“Porque o meu povo é inclinado a desviar-se de mim; se é ‘concitado’ a dirigir-se acima, ninguém o faz.”


Poucos textos me feriram a alma tanto quanto este, desde a primeira vez que o li. Hoje, entretanto, conversando com Adriana acerca de certos “espíritos humanos”, especialmente os bons e humildes, ela disse: “Se as pessoas mudassem de espírito, até o ar ficaria melhor”.


Então eu disse: “É claro. Leia Oséias 4: 1-4. Ela então, disse: “Recite-o pra mim”. Recitei-o. O texto diz que por causa da maldade da sociedade humana, a criação é afetada, e começa a morrer. Foi quando eu disse: “Se acontece para o mal, acontece para o bem”.


Entretanto, no ato de recitar para ela o texto, incluí um pedaço que não fazia parte da citação de Oséias 4, e que é o texto que está no cabeçalho desta minha conversa com você.


Achamos o texto e lemos: “Porque o meu povo é inclinado a desviar-se de mim; se é concitado a dirigir-se acima, ninguém o faz”.


Um pai, ou uma mãe, também poderiam, algumas vezes, dizer o mesmo: “Porque os meus filhos são inclinados a desviarem-se de nós; se concitados a dirigirem-se acima, ninguém o faz”.


Ou seja: a aplicabilidade de tal “inclinação do coração” frente à certeza do amor incondicional, paradoxalmente, na alma não-consciente e rasa, gera apenas um espírito de inclinação contrária ao amor de Deus.


Digo isto apenas porque o povo de Oséias sempre soube que Deus os amava, visto que o profeta que Ele escolheu para trazer Sua mensagem, teve, ele mesmo, que ser a mensagem; pois teve que amar e casar com uma mulher que o traía com todos os homens, assim como Israel traía o Senhor com as divindades de pau e pedra.


Ora, essa fuga de Deus é fuga do amor; e é, também, fuga de toda a perspectiva crescimento, pois não há meio de se crescer, e de tal crescimento tirar algum proveito, se o amor não for a seiva desse crescimento. Paulo disse que sem amor, por exemplo, o conhecimento apenas “incha”, mas que somente o amor edifica, constrói, e faz crescer aquilo que é eterno em nós.


O contrário disso, que é a fuga do amor e do crescimento nele, produz sempre a “Síndrome de Peter Pan Espiritual”. A pessoa acha que é de Deus, e, nesse mesmo momento, começa a se inclinar para longe Dele; pois é melhor pensar que se é de Deus de modo “marcado como gado”, do que ser de Deus porque nosso ser é e cresce em Deus.


Estranhamente, qualquer “certeza jactante” acerca de se ser “povo de Deus”, produz essa tendência a se “inclinar” para longe de Deus, posto que a jactância dessa “gloria” já significa o próprio afastamento de Deus; pois, só se jacta de “algo” quem acha que possui a coisa ou por ela é possuído (até mesmo quando a “coisa” é “Deus”); e isto numa perspectiva de “status”, e não de amizade e relacionalidade com o Criador e Pai.


Nesse ponto o ser se esquizofreniza. Sim, confessa-se de Deus, mas odeia a idéia de crescer, de seguir acima, visto que tal implica em entrega, e permanente sondagem do coração e seus múltiplos intrincamentos e entroncamentos. Aqui é quando “ser povo de Deus” mata a possibilidade de um continuo crescimento, aceitando a vocação, o chamado, o eterno concitamento divino para que o ser vá “para cima”.


Toda a profecia de Oséias trata acerca de como o amor incondicional de Deus, expresso pelo “profeta-corno”, mas que seguia sendo bom e misericordioso com Gômer, uma goma de mulher, e que ilustrava Israel, a puta, adultera, amada de Deus, assim como Gômer era amada por seu marido-profeta.


Na existência cotidiana é o mesmo que acontece. Pessoas boas, geralmente são abusadas. Os que se esforçam pelo que é bom, acabam carregando todas as responsabilidades. Os que amam incondicionalmente, sempre são incondicionalmente provocados em seu amor. Pois quem diz crer em Graça, esse tem que provar e praticar a Graça recebida nas relações horizontais, nas quais Deus freqüentemente nos põe “no lugar Dele”, no que tange ao exercício do perdão.


Assim, a salvação de Oséias, de Gômer e de Israel, estava em que Oséias perdoasse a mulher que contra ele adulterava por mero prazer. Mas se Gômer não se convertesse, ainda que incondicionalmente amada, provaria, por suas próprias mãos, todas as conseqüências de seus atos.


“Oséias nunca me deixará”, pensava ela enquanto se divertia em traições!


E, por tal certeza de amor contra ela mesma, ela se inclinava para longe do verdadeiro amor, e concitada a ir para cima, para um outro piso de existência, ela, porém, apenas se abismava mais.


Desse modo, a percepção leviana da Graça de Deus, ao invés de curar a alma, pode colocar a pessoa na falsa idéia de que crer que Deus nos ama, isso é algo que em si mesmo, e nos poupa de ter que amar com fidelidade a quem nos ama.


“Se me amais, guardareis os meus mandamentos”, disse Jesus, para então acrescentar que esse amor por Deus só pode ser visto como “amor de uns pelos outros”.


Estou escrevendo isto porque depois de ficar quatro anos, aqui no site, tentando tirar “neuroses e paranóias da cabeça de crentes”, creio que chegou a “Hora” de dizer que a grande tentação agora é um “crer-mal” no amor de Deus; e, assim, ao invés de aceitarmos o chamado “para cima”, nos ponhamos no caminho de Gômer, a qual, confiada no amor de Deus em Oséias, quanto mais amada, mais atolada ficava no caminho de baixo.


A Graça nos acompanha até o abismo, qualquer abismo, mas não deseja fazer sua residência na ambiência espiritualmente cínica de quem diz crer, mas nunca aceita o convite para crescer. Sim, como disse Pedro, “crescer na Graça e no conhecimento” de Deus.


“Meu povo perece por falta de conhecimento”, disse Deus por Oséias. A questão é que “conhecimento de Deus”, conforme Jesus e a Palavra, não é “informação” acerca de Deus, o que é estultícia do ponto de vista da Palavra revelada.


Conhecimento de Deus, conforme a revelação, é sempre conhecimento “experiencial”; portanto, é conhecimento na Graça que nos converte pelo amor divino.


Desse modo, todo verdadeiro conhecimento de Deus em amor e graça, nunca nos deixa contentes no caminho estático, porém, célere, na direção do buraco da existência. Ao contrário, o verdadeiro conhecimento de Deus muda o ser, e o leva à vontade da fidelidade para com o amor de Deus e para com o próximo, em amor.


Pense nisto:


A GRAÇA DE DEUS NÃO É A GRAXA DE DEUS!


Caio

segunda-feira, 4 de abril de 2011

OS TEMAS DE JESUS E OS TEMAS DOS JESUSES!


Em Jesus nós temos os temas por Ele propostos [que eram Sua agenda], os temas propostos pelos homens [que eram suas angustias e ou tentações e dúvidas], e temos os temas que Ele se nega a responder, e, menos ainda a propor.

Entretanto, mesmo quando a resposta a uma proposta seria para Jesus como o lançar pérolas aos porcos, ou ainda algo como ideologizar a Palavra — ainda que não tratando dela [da proposta], é possível ver porque Ele não a respondeu; ao mesmo tempo em que é possível saber o que Ele pensava, não o expressando apenas para não fazer de algo tópico um dogma para os incautos ou um motivo de acusação desnecessária dada aos abutres.

Assim, os temas de Jesus são os de sua mensagem declarada e espontânea. E o Sermão do Monte bem expressa quais são esses elementos essências da agenda do Evangelho de Jesus.

Nos diálogos com as multidões ou os religiosos [de todos os pedigrees], vemos as respostas que Ele julga fundamentais; e que em geral carregam os elementos mais próximos da compreensão humana; mesmo quando era uma disputa dos fariseus ou escribas dos sacerdotes, buscando algo a fim de o acusarem.

Nos diálogos com os discípulos há tanto o que Ele propõe, como também o que eles criam como problema ou circunstancia da vida para a qual a Palavra de Jesus tem sua direção sempre.

Até mesmo o tema da Vinda do Filho do Homem, conquanto seja uma proposta Dele, Nele sempre ela é tratada de passagem, como certeza para além da obvia claridade do sol. Quando, porém, o tema “escatológico” [últimas coisas] é ampliado, é porque os discípulos curiosos perguntam sobre o fim de tudo aquilo.

No mais, Ele força a pensar, a sentir, a intuir, a abrir-se à revelação, a comparar as coisas com a natureza das coisas, e com a natureza humana também; e, sobretudo, Ele sempre dá a chance de que a história-parabola-da-vida falasse por si mesma aos de coração ávido pela verdade do reino. Ele as explica [as parábolas] apenas quando dúvidas aparecem; e nesse caso [das parábolas], tal extensão explicativa acontece apenas na do Semeador e na do Joio e do Trigo. Nas demais, os fatos da vida se impuseram como ilustração vívida do que estava acontecendo no coração dos circunstantes, de tal modo que as explicações eram eles próprios.

Dos temas tópicos o que Ele mais menciona é o dinheiro. Seja como denuncia de seu poder corruptor; seja até como ilustração em parábolas [para o bem e para o mal]; seja no desfecho da história do Evangelho, quando é por dinheiro que Jesus é traído.

Ele não fala nada de questões morais. Diferentemente de João Batista Ele nada tem a dizer acerca dos bacanais dos Herodes e das orgias dos romanos.

Também nada diz dos publicanos, meretrizes e pecadores sem que seja mediante parábolas de amor e perdão. Sua pior descrição de tais situações acontece quando Ele diz que o pródigo judeu foi cuidar de porcos [ofensa aos judeus], e disputava babugens com eles. Mas isso tudo para trazer o rapaz de volta para o abraço do Pai.

Nele também não vemos traumas. Ele bem que poderia falar da “matança dos inocentes” [quem resistiria se isso fosse sua história mais primitiva?], de Seu exílio no Egito, da visita dos magos, da vida em Nazaré, do pai, da mãe, dos irmãos, dos amigos, de tudo. Mas Ele não toca nesses assuntos jamais. Ele não tinha testemunho a dar. Ele era o testemunho. E o testemunho do Pai a cada dia era confirmado Nele de todos os modos no dia chamado Hoje.

Ao contrário. Houve coisas que Ele não só não levou quase ninguém com Ele para que fossem vistas; mas, além disso, proibiu as testemunhas de relatarem o que haviam visto até que Ele ressuscitasse dos mortos — e pediu que fosse assim até no caso dos outros apóstolos; os que não tinham presenciado o ocorrido; como a Transfiguração, por exemplo.

Temas políticos explícitos Ele não tratou. Entretanto, denunciou-os mediante ilustrações sarcásticas, irônicas e mordazes. Ou seja: Ele fez cartoons; charges de imagens-histórias. Fez isso de modo sutil [como quando diz que o centurião romano tinha mais fé que qualquer judeu que Ele tivesse encontrado na vida]; ou quando, por exemplo, elege um Samaritano para herói da história da bondade solidária. Sua manifestação política mais explicita está na denuncia ao fermento de Herodes e dos fariseus, que era a hipocrisia. No mais, não entra em rota de colisão com Roma, não aceita a polemica sobre o que era de Deus e o que era de César [embora com toda fineza diga que Deus está acima de César], não se empolga com a possibilidade de mediar uma questão de bens de família e herança [ao contrário: nega-se a fazê-lo], e quando denuncia politicamente, dirige sua denúncia à política feita em nome de Deus, no Templo e entre os “representantes” da “divindade”.

O que Ele faz o tempo todo é dizer que o homem pode viajar [qualquer homem] da pocilga dos porcos para a herança do Pai Celestial.

O que Ele faz o tempo todo é dizer que o homem pode ser infinitamente melhor do que é; e que nós podemos vir a nos parecer tanto com Deus que a vida se torne sem ansiedade e sem guerra.

O que Ele faz o tempo todo é dizer que o homem pode amar, e nunca odiar; vencer pelo amor e pelo perdão, e não pela espada e pela opressão; e conhecer o amor como poder que vence tudo; mesmo quando quem ama morre.

O que Ele faz o tempo todo é dizer que o homem pode viver sem saber por que uns morrem antes e outros depois; por que uns são vitimas de calamidades [como aqueles que tiveram seu sangue misturado com oferendas de ódio no altar] e outros estão ao lado e não são “apanhados”; ou por que uns vêem e outros não; ou por que uns padecem e outros apenas riem; ou por que a casa cai e mata a família boa, enquanto a casa rebelde dá festa durante o enterro do Lázaro; ou por que alguém nasce eunuco [sexualmente disfuncional ou invertido]; ou cego; ou aleijado; ou qualquer coisa.

Sim, para Ele nada havia a saber sobre isto; pois a vida que confia no amor do Pai sabe que Ele cuida de todos; e que tem glória para todos.

O que Ele faz o tempo todo é dizer que o homem pode amar a Deus e a seu próximo como a si mesmo.

E diz que se assim fosse, Ele mesmo reuniria todos os homens, de todas as Jerusalens, e os poria sob Suas asas, como a galinha ajunta seus pintinhos!

Mas há os que preferem eleger para a vida os temas que Ele não propôs; e fazerem deles a agenda de Deus, sem saberem que cumprem os desejos homicidas daquele que é mentiroso e pai da mentira.

Se a agenda é de Deus, é divino-humana [como vimos em Jesus]. Se a agenda é humana, é divina em sua real e necessária humanidade [como vimos em Jesus]. Mas se a agenda não vem de nenhuma dessas duas fontes-propostas, então, saiba: ela pode ser confessada em nome de Deus, mas o proponente é o diabo; e acerca dele [do diabo], Jesus diz: “Eia! Vamo-nos daqui; pois aí vem o Príncipe deste mundo; e ele nada tem em mim!”

O que hoje mais se precisa é tirar uns certos “jesuses” do que se diz sobre Jesus. Pois Jesus não é o Gadareno, que diria: “Jesuses é o meu nome, pois somos muitos!”

Pense nisso!

Caio

Escrito em Agosto de 2007

Manaus - AM

quarta-feira, 30 de março de 2011

O CAMINHO NA ÁFRICA: UM ANO DEPOIS...


Fim de 40 dias nos quais mergulhamos numa guerra política e jurídica envolvendo o destino de mais de duas centenas de “crianças-bruxas” outrora recolhidas no orfanato C.R.A.R.N. / Nigéria.

Vencemos! Não sei como! Graças a Deus! O Orfanato é nosso! Só nosso! As responsabilidades pedagógicas, esportivas, administrativas, filosóficas, judiciais, sociais, bem como a saúde espiritual, emocional e física de cada uma das chamadas “Crianças-Bruxas” é do “Caminho da Graça” em sua versão internacional e humanitária, o “Caminho-Nações”.


Amigos amados, testemunhas desse momento, eu preciso lhes dizer que não estou cabendo em mim de felicidade e angústia! De satisfação e aflição! De choro e gargalhadas de verdade!!! Pareço uma criança! (Depois explico as gargalhadas...)


Mas, falando bem sério, ontem nem dormi pensando e orando por todos as personagens da Missão “Pequeninos na Nigéria”. Elas aparecem assim nessa dramática história real:


* Gary Foxcroft, jovem inglês, descobre o comércio de alminhas humanas no Sul da Nigéria, África Ocidental; e funda a SSN (Stepping Stones Nigeria) em Londres;
* Sam Itauma, jovem nigeriano, sem recursos ou planejamentos, começa em 2003 a recolher as crianças que vai encontrando nas ruas, após a bruxificação que impede até que elas continuem estudando em suas escolas, morando em suas vilas, dormindo em suas casas...
* A SSN torna-se parceira de Sam e fundam oficialmente o orfanato C.R.A.R.N (Child´s Rigth and Reabilitation Network) em 2006, cuidando de 30 crianças;
* Helen Ukpabio, famosa diretora de cinema na Nigéria, é também apóstola da grande denominação Liberty Gospel, e considerada a grande promotora da bruxificação infantil. O país inteiro assiste a sua película “O fim dos ímpios”, no qual explica como as crianças se tornam bruxas e podem fazer mal aos adultos. Seu livro sobre os segredos para reconhecer um bruxinho pelos sintomas que os filhos apresentam neurotizaram a comunidade neo-pentecostal. Uma paranóia persecutória se instalou no sul cristão do país. A Liberty Gospel enriqueceu. Exorciza os pequeninos ao custo de muitos salários!
* Gary Foxcroft filma um documentário que prova a responsabilidade direta da Pra. Helen Ukpabio. O filme ganha o Grammy de “Atualidades” na Europa e Gary ganha toda a indignação dos “pastores do mal”.
* O Governador do Estado passa a considerar crime a estigmatização infantil, e em visita gravada ao CRARN doa milhares de dólares para a ampliação do orfanato, que com 210 crianças em 2009, passa a ter capacidade para receber outras mil !
* O UNICEF classifica o fenômeno como “recente, moderno e urbano sem vínculo com a cultura, sendo somente o abuso dela”. Nada é feito, contudo, para a prevenção do problema. O C.R.A.R.N está pronto para receber mais e mais crianças-bruxas.
* Um único vídeo é traduzido para o português e chega ao Brasil. O pastor Caio Fábio identifica a Teologia da Prosperidade, Batalha Espiritual e de Maldições Hereditárias como os elementos-chaves de sustentação dessa crença, reação sincrética às Mega Cruzadas dos “brancos” pela África cristã, e, então, monta a equipe que faria em Janeiro de 2010 uma incursão de mapeamento da situação e pregação do Evangelho para evitar que mais crianças sejam abandonadas!
* A chamada Missão “Pequeninos na Nigéria” fica, então, 20 dias em solo nigeriano e se embrenha no sub-mundo das ocorrências chegando onde ninguém ainda havia chegado, pregando, ensinando, distribuindo literatura, fazendo cruzadas, discípulos, voluntários, amigos e inimigos. O C.R.A.R.N nos recebe de braços abertos e passamos a trabalhar para também suprir suas muitas necessidades.
* A “Missão-Maio” leva as contribuições financeiras dos brasileiros para locação de uma base exatamente na localidade de maior incidência de profecias de bruxaria e de abandono infantil. Uma casa começa a ser reformada e um grupo nativo passa a representar o Caminho-Nações (Nigerian Way to the Nations). Ninguém entende o que queremos dizer com “prevenção”, nem mesmo o Orfanato, que só tem sua existência justificada pela constante pregação da perversidade realizada pelo “lado obscuro da força”. Gary fica preocupado com a “duplicidade de funções” entre o CRARN e a casa “Way to the Nations”. Explicamos a ele que não vamos recolher as crianças, vamos lutar para devolvê-las a suas comunidades e calar a boca dos pregadores das maldições pela via da pregação do Evangelho. O JOJO DE OLIVENÇA inicia o projeto de Surf como o que desenvolve com crianças de rua aqui no Litoral Paulista.
* A Missão “Way to the Future” em setembro de 2010 leva o Leonardo pela terceira vez consecutiva à Nigéria. A CASA DO CAMINHO é inaugurada. Nossa pregação não para! O Leo adquiri um horário nobre na TV para gravar mensagens em inglês do pastor Caio Fábio, leva remédios e roupas para o C.R.A.R.N – que passado todo um ano, se mantém muito mal estruturado, apesar das libras esterlinas da SSN. O Leo também vai a TV, ao rádio, ao jornal e já é reconhecido nas ruas como um reverendo ativista.
* Finalmente, Helen Ukpabio reage. Forte! Contrata o maior escritório de advocacia do país, acusa o governador de perseguição religiosa anti-constitucional e exige indenização altíssima, a SSN é acusada de se beneficiar da “desgraça” nigeriana para se promover no exterior às custas da imagem da Nigéria e isso chama atenção dos políticos locais. A pra. Ukpabio dá uma entrevista ao New York Times, em Boston, e diz que os 210 bruxinhos são “atores”. Sim, atores mesmo, segundo ela! Na Nigéria, seu escritório levanta judicialmente dezenas de acusações contra Sam Itauma, que vão desde problemas fiscais e contábeis até violência e estupro. O mundo desaba, o governador teme e abandona seu apoio ao orfanato. Sam não responde as alegações e foge. Gary tem seus vistos negados à Nigéria. A SSN retira o apoio ao CRARN em Janeiro de 2011. Uma comitiva governamental desce ao Delta do Rio Níger para investigar, cinicamente, se, de fato, EXISTEM crianças-bruxas e se a “igreja” está envolvida nisso (?!). A Comissão chega à casa do Caminho, vê os resultados do nosso trabalho e elogia seu andamento. Mas, para se livrar da indenização à apóstola, o relatório da Comissão já está pronto antes de concluir a investigação. O governador já estava predisposto a acabar com tudo! E é o que acontece...


Muito bem... Chegamos a fevereiro de 2011. Políticos nigerianos avisam o Leonardo por telefonema ao Caminho em Londres que não nos aproximemos da Nigéria nessa hora, pois agora começou a verdadeira “caça às Bruxas”. A prisão de Sam Itauma é decretada. Ele continua foragido e não retorna nossas chamadas. Já o aviso telefônico ao Leo é claro: O CRARN será fechado e suas crianças espalhadas e nada pode ser feito a esse respeito! E agora?


1. Leonardo me liga de madrugada todo arrasado e pede que eu escreva imediatamente uma carta aos políticos nigerianos pedindo que adiem a extinção do orfanato. Seria uma espécie de última cartada...

2. Eu tento “parar o mundo” para escrever a mais convincente carta da minha vida. Digo até que o ex-presidente Lula abriu o Brasil para o intercâmbio com a Nigéria, e que agora não aceitaríamos ficar de fora dos destinos daqueles que temos dedicado nossos recursos com todo carinho. Acrescento que nossa ancestralidade africana nos torna mais próximos que ingleses e americanos possam ser, que a cultura Iorubá é intensa aqui no maior país negro fora da África, que nossos planos estão além do futebol pelo qual nos conhecem, que aqui já cuidamos de crianças-de-rua, e, sinceramente, nessa carta não faltou apelar nem a César! Ao final, fiz-lhes um desafio: Nos dêem o orfanato. Somente a nós. Sem sociedades com políticos ou donos de ONGs. E retornem num prazo de um ano para ver como transformamos o Orfanato num SENAI, seus internos em jovens psicologicamente acompanhadas e cidadãos de bem; e abram nossos livros de contabilidade para verificar que, inacreditavelmente, as contas vão bater!!!

3. Em Londres, o Leo tem reuniões com o Gary. O inglês avisa que dificilmente vão nos dar a administração do orfanato, pois somos estrangeiros e eles temem pela imagem do país por aqui... O Gary está cansado. É idôneo. Quer pular fora depois de tantos anos... Não confia nos outros candidatos (entre igrejas e missões) a assumir. Diz que só se mantém como parceiro se os brasileiros assumirem tudo e dispensarem toda a atual diretoria... Isso nem seria necessário. Chega a notícia que todos os diretores do CRARN abandonam seu posto. As crianças estão, de novo, abandonadas! Boatos dizem que Sam deve estar nos EUA. E a gente só pensa naqueles rostinhos que, se forem “dissipados” por outros orfanatos do país, serão discriminados por serem “bruxinhos” e voltarão ao inferno!



Na segunda, dia 21 de Março, o Leo me liga sem parar. Estou dando aulas. Eu sei que alguma coisa aconteceu, mas só não sei o quê! Peço a Deus que acabe logo com isso (nem sei mais pelo que orar... Sabe aquela fase seja feita a Tua vontade? Então...)


- “Mano! Decidiram! O orfanato é nosso! Tenho que embarcar nessa sexta-feira para o Campo. Deixo a Ayla grávida aqui em Londres. Vou montar nossa diretoria com os caminhantes de lá e volto para casa pra ficar com
minha esposa. Dez dias em casa, vinte dias no orfanato, vou fazer mais ou menos assim... ok?”


- “Mano? Ei... Marcelo? Você está aí, meu irmão?”


Não. Tô no céu...! Mas volto à Terra em segundos:


- “O que você precisa, Leo?”




- “Nada, só de dinheiro! Acabei de pedir demissão da empresa e eles estão muito bravos!”




- “Foi o que imaginei...”




- “Vai na Paz meu irmão. O resto sou eu quem faço. Eu... e um milhão de amigos!”


Ah, quanto às gargalhadas que me sobem aqui é porque eu fico pensando: A falsa-pastora-produtora de filmes infernais pensa que seus problemas acabaram. Eh! Acabaram sim... Acabaram foi DE COMEÇAR!!!! kkkkkkkkkkkkk... Deus é bom! kkkkkkkkkkkkkk... Deus é muito bom e a sua misericórdia dura para sempre...kkkkkkkkkkkkk... E os que confiam no Senhor são como os montes de Sião, que não se abalam... kkkkkkkkkkkkkk... Mas permanecem para sempre!...kkkk... Ai... Ai...


(Não estou embriagado não, gente... Tô curtindo uma espécie de “potência” passageira e tola, pois afinal, eu sei que tudo é GRAÇA DE DEUS... Mas me deixem assim... kkkkkk... Só hoje, vai...rsrs. Amanhã eu estou preocupado com os 210 filhos do Caminho-Nações, porque nós, na verdade, somos muito pequenos, somos nada, ninguém... ). Mas, só por hoje me deixem estar... assim... na fase do grito de guerra, da música de estádio de futebol:


Bispo Macedo, pode esperar, a tua hora vai chegar!” rsrsrs...


Opa, chega de rir, acabou a graça, Rejane mandou eu ir pra cama dormir AGORAAAAA...


Vou tentar.


Obrigado por existirem! Vocês todos, e cada um, são personagens em azul! Amo vocês!


Marcelo Quintela
www.caminhonacoes.com

quarta-feira, 23 de março de 2011


O Caminho da Graça Estação Virtual, Ou “Caminho Virtual” como temos chamado, tem a finalidade de reunir os discípulos que desejam encontrar outros que compartilham do mesmo entendimento do Evangelho simples e verdadeiro de Jesus.

Nosso desejo é que aqueles que não têm em suas cidades um “Grupo do Caminho da Graça”, não se sintam sós, mas possam encontrar, mesmo na virtualidade, um grupo de ajuda, apoio e guarida.
Nossa estrutura é toda virtual, porém nosso desejo é real… e irá para além da virtualidade em nossa proposta de ajuntamento, aconselhamento, irmandade e acolhimento.

Desejamos que você faça deste lugar, o seu lugar de alimento, crescimento e comunhão. E que colhamos juntos aqui muitos frutos para a vida eterna, compartilhando o amor de Deus, para além de credos religiosos, como Jesus nos ensinou.

O Caminho Virtual se propõe a ser um caminho real na virtualidade!

Acesse aqui o blog do Caminho Virtual.


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Nosso primeiro encontro acontecerá no dia 29 de Março, às 20:30 na Sala de Encontros. Veja as informações aqui.


Equipe Caminho Virtual

terça-feira, 15 de março de 2011

QUE MUNDO! QUE TEMPO! QUE HORA!


O mundo está muito estranho. Nunca antes o vi assim. Nem tampouco soube que ele [em estado continuo] tenha entrado em algo semelhante ao que agora de vê.

Entre os homens são bilhões de seres.

Fome, consumo, lixo, sujeira, poluição, pestes, pragas, novas doenças, ar sujo, medo, depressão, pânico, doença mental, desconfiança, hostilidade, desamor, frieza afetiva, falência familiar, perda de referencias e de senso de conveniência; morte da sabedoria e glória da insensatez; desequilíbrio de poderes, controle, manipulação, indução, aldeia global, instantaneidade de tudo; ansiedade sexual, desafeição paterno-materna; corrupção, roubos, arrombamentos, seqüestros, trafico, banditismo legal, política como ação de pirataria, evolução cientifica para o bem e o mal; engenharia genética, clonagem, reprodução com controle genético, tecnologias de manipulação, alienação; religião anestésica, perda da transcendência, ódio de ser, medo do futuro, suicídio, desmaios, angustias, drogas, desagregação, ódio social, homicídios familiares; mentira e mentira, criação virtual de identidades, escuta, espionagem, invasão, vergonha, maldade, perversidade, perversão, normalização do que não é, falsificação, máscara, irrealidade, virtualidade, fantasia, pesadelo, terror, agressão, fuga, atropelamento, evasão, esconderijo, engano, distanciamento da realidade; auto-legislar, instituição do egoísmo, intolerância, fanatismo, divisão, guerra, morte, dor, promessa de vingança, vontade suicida, decisão de aniquilamento como vitória final, apequenamento planetário...

No meio ambiente vai faltar ar e água. O frio mudará de endereços, bem como o calor, as estações, as previsões. As criaturas morrerão cada vez mais; espécies inteiras morrerão, pois, se terá tudo o mais: sujeira, emissões de morte na natureza, ação predatória baseada no imediato. Os mares sobrarão, os degelos gerarão dilúvios e tsunamis, etc. A Terra se inviabilizará.

No que seja experiência normal na Terra, haverá crescente introdução de coisas espantosas, como o rugido do mar e das ondas, luzes de estranhos objetos, aparições supostamente alienígenas, expectação do imprevisível; sem falar que novas dimensões estão sendo lentamente tocadas e penetradas, e, por tal invasão humana em outras dimensões poder-se-á ver o abrir de portas assustadoras; e, assim, tornarmos nossas ficções em nossas próprias realidades aterradoras.

Do ponto de vista espiritual e religioso o que se tem é a preparação de um caminho para um Messias, ou Cristo, ou Buda, ou Santo Líder; pois, até mesmo se busca criar um novo Jesus, nascido não da descendência de Davi, mas sim da de Madalena com Jesus; enquanto se vê uma crescente busca pelo novo representante da divindade para esta nova e nascente Era do Morrer Civilizatório. Daí essa busca por evangelhos apócrifos, que permitam a criação de um novo Jesus, e que tem como seu apostolo mais fiel, Judas, o Iscariotes. Um Jesus sem coluna vertebral. Um Jesus sem forma e vazio. Um Jesus recipiente de tudo e de qualquer coisa. Um Jesus que não é o modelo, mas, ao contrario, modelado. Isto enquanto os Islâmicos querem ser os senhores de todos os homens em toda a terra. O que daí advirá será o caos.

Por isto, cada vez mais, quero investir em meus filhos e netos, pois, o melhor legado que posso deixar, além de quem sou, digo, escrevo, penso, falo, prego e anuncio, é o que a eles ensino, na esperança de que sejam preparados para os tempos ainda adiante de nós.

“Insensatos! Sabeis discernir os tempos, os ventos, as nuvens, e os outros sinais naturais, e, não sabeis discernir os sinais desta geração?” — é o que indaga Jesus.

Para quem leva isto a sério, Jesus diz:

Vigie. Fique atento. Não durma. Guarde suas luz, seu azeite. Faça o bem. Não maltrate a ninguém. Aumente seu talento. Ajude. Socorra a todos os que puder. Veja-me em cada ser humano, mas não se deixe enganar. Não siga a ninguém. O Filho do Homem não estará no interior de nenhuma casa. Ele aparecerá nos céus. Não haverá dúvidas. Por isto, mantenha os olhos fitos nas coisas dos céus. Não tema a perseguição. Pregue em todas as nações. Não se assuste com o esfriamento do amor e a proliferação da iniqüidade. Não tema. Eu venci o mundo, e ninguém arrebatará você de minha mão. Pois, estou com você até o seu ultimo dia. Mas saiba: é na sua perseverança que você salvará a sua alma para o que é eterno.


Você crê?


Nele,


Caio

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Papo de Graça sobre Chico Xavier

domingo, 6 de fevereiro de 2011

A REVOLTA DOS FILHOS DE HAGAR


Abraão nunca imaginou o que estava gerando!

Sara é que havia solicitado. Já que não lhe dava um filho, que pelo menos o marido não se sentisse frustrado!

Um filho lhes faria bem!

Naquele tempo filho só era filho se fosse gerado. Tratava-se de uma era primitivamente genética. Aliás, quando houve uma única era que não tenha sido genética?

Sara era meio-irmã de Abraão. Um de seus progenitores os havia tido de cônjuges diferentes!

Para os nossos padrões eles eram irmãos!

Afinal, em que igreja eles seriam aceitos como membros se fossem irmãos duas vezes?

Ou seja: para nós seria incesto!

Sara sabia que de alguma forma um filho de Abraão também seria seu parente. Estaria tudo em casa. Uma escrava egípcia seria a “barriga de aluguel”.

Mas Hagar não era um óvulo ou um ventre. Hagar era gente. Hagar amava, desejava, sonhava e gostava de ser escrava de Abraão!

Quando Sara informou-a que daquele dia em diante ela dormiria com o patriarca até ficar grávida, a notícia não a constrangeu!

Nem tampouco a Abraão!

E Hagar não ficou só de “Agá”, tornou-se concubina!

Sara percebeu que um novo núcleo familiar e afetivo se formara na tenda ao lado e não gostou. O tiro saíra pela culatra. Abraão não amava apenas a possibilidade de ter um filho. Ele se afeiçoara à mãe do garoto!

Ciúmes de Sara!

Abraão leva a culpa!

Hagar é humilhada por Sara!

Foge!

Já estava bem longe, no caminho de Sur. Parara junto a uma fonte de água. Então um anjo do Senhor se aproximou dela e lhe disse:

“Hagar, serva de Sara, donde vens? e para onde vais?”

Ela respondeu:

“Fujo da presença de Sarai, minha senhora!”

Então lhe disse o anjo do Senhor:

“Volta para a tua senhora e humilha-te sob suas ordens”

E disse-lhe mais o anjo do Senhor:

“Multiplicarei sobremodo a tua descendência, de maneira que, por numerosa, não será contada. Concebeste, e darás à luz um filho, a quem chamarás Ismael, porque o Senhor te acudiu na tua aflição. Ele será, entre os homens, como um jumento selvagem; a sua mão será contra todos, e a mão de todos contra ele; e habitará fronteiriço aos seus irmãos”

Quando isto aconteceu Hagar orou e disse as seguintes palavras:

“Tu és Deus que vê! Não olhei eu neste lugar para Aquele que me vê?”

Então voltou para casa e lá permaneceu quase 15 anos. Nada se diz sobre o convívio das duas mulheres, mas deve ter sido horrível. Abraão, no entanto, não achou ruim. Amava o filho e a serva!

Enfim, Sara deu à luz um filho. Nasceu Isaque. Abraão e ela já eram velhos. Hagar era bem mais jovem. E Ismael já era adolescente!

As conversas de Hagar com Ismael tinham dois temas: o amor de ambos por Abraão e a amargura dos dois para com Sara!

Ismael respirava a humilhação e vitimização de Hagar!

O filho de Sara merecia ser humilhado. Os que podem mais humilham os que podem menos. Então Ismael caçoava de Isaque.

Sara ficou sabendo e explodiu. Ordenou a Abraão que expulsasse de lá os dois!

Abraão sofreu por ambos. Tal foi sua dor que o próprio Deus lhe falou: “Obedece ao desejo de tua mulher”.

Na hora da despedida Abraão sofreu imensamente. Deus então fala com ele outra vez e lhe diz que sabia que Abraão sofria também pela escrava e não só pelo menino. Mas o conforta dizendo-lhe nada mais que uma promessa: abençoaria a ambos. Mas o filho da escrava não seria herdeiro com o filho da livre, o que fora gerado de Sara.

Isso foi há mais de três mil anos. Mas os efeitos dessa amargura nunca se afastaram da consciência dos filhos de Ismael: todas as nações árabes de sempre e de hoje também o sentem. São filhos do rejeitado Ismael!

Esse mesmo sentimento é usado por Paulo escrevendo aos Gálatas a fim de ilustrar outra dimensão da jornada histórico-espiritual: os judeus haviam se tornado espiritualmente os filhos de Hagar pelo fato de terem desprezado Jesus, o Isaque da Promessa. Dessa forma permaneciam em escravidão espiritual, tentando se justificar na relação com Deus unicamente baseados na carne, na ascendência à Abraão e no pertencimento histórico à História!

Sabendo disso não há como inferir pelo menos duas coisas. A primeira é que os Árabes de hoje são os filhos de Hagar, segundo a carne. A segunda é que todos aqueles que preferem se gloriar na sua própria história de fé ou nos seus pertencimentos à qualquer tipo de salvação por direito pessoal, estão em escravidão espiritual, segundo Paulo.

No inconsciente coletivo e na dimensão psicocultural das nações árabes há essa carga descrita pelo próprio Deus como “reativa” e, também, como valentemente independente entre os homens.

Os judeus históricos e os legalistas existenciais—incluindo também os “cristãos legalistas”—estão na mesma escravidão, segundo Paulo!

Para esses o murro da inimizade nunca caiu e jamais cairá. Somente em Cristo esse muro é derrubado. Sem Ele esse muro é inabalável.

Faz a Muralha da China se parecer a um castelo de areia em dia de ressaca no mar!

Esse muro não caiu dentro da “igreja”, como cairá entre os homens?

O maior sinal de que o evangelho entrou em algum lugar é que as muralhas de inimizades terminam. Enquanto isto não acontece continuamos todos a ser filhos da escrava. Para Paulo isto incluía a própria igreja, daí ele ter escrito isto aos cristãos da Galácia.

Os dias de hoje são dias apocalípticos porque eles nunca se pareceram tanto com os dias do Gênesis. Só que agora em escala global. Ironicamente os filhos de Sara e Hagar continuam a guerrear no oriente médio, e os filhos espirituais da escrava a guerrear entre eles mesmos na escala mundial.

Mesmo a presente guerra tem seus vínculos com aquela primeira história. Ismael continua a ser como jumento selvagem entre os homens e a morar fronteiriço a seus irmãos!

Sara está chorando!

Hagar continua a gemer!

Isaque continua a se sentir especial. Só agora especial por ser especial!

Ismael continua a caçoar dele, a sentir a rejeição de sua mãe e sentir-se como o filho não reconhecido, mas que jamais saiu de casa, pois nunca deixou o mesmo chão: a poeira do deserto!

Os Estados Unidos estão nessa por todas as razões erradas. E acabaram se enrolando em cordas históricas e espirituais inquebráveis: vinculados historicamente aos filhos de Sara, eles se orgulham de serem os irmãos espirituais do Isaque-Jesus. Por isto, combatem historicamente os filhos de Hagar, protegem o filho de Sara e não percebem que espiritualmente são filhos de Hagar também.

Afinal, tanto individual quanto coletivamente, quem quer que creia na Palavra de Deus não entra numa guerra dessas, muito menos assim!

Estamos no limiar de assistir a um grande levante dos filhos de Hagar. E isto começa a acontecer não apenas nas poeiras dos desertos. Mas também nas potestades do ar. Tanto na geografia quanto na dimensão espiritual as mesmas forças estão crescendo.

Os personagens do conflito histórico estão aí e sua geografia política é bem definida. Já os personagens da herança da espiritualidade escravizada simbolizada por Hagar, estão espalhando-se por toda parte. Afinal, tanto faz ser judeu, árabe, ou um filho dos Gálatas cristão, o resultado é um só: o fundamentalismo legalista e a mesma atitude de vingança e falta de percepção da Graça!

Assim guerreiam os escravos entre si, por si, para si, em si e para salvar a si mesmos!

Deixai os mortos enterrarem os seus próprios mortos!

Deixai os escravos construírem suas muralhas de separação!

Tu, porém, vai, e prega o Reino de Deus!

Caio

(Escrito em 2003)

Copacabana

RJ

 
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